Cronologia dos últimos 30 da noite paulista

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AFolha de Sao Paulo fez uma cronologia bem legal. Pena que deixaram de lado a Circuito que deu origem ao Clash Club e a extinta Parada da Paz, o mais próximo que chegamos da Love Parade da Alemanha (se é que podemos comparar…) e também o Lov.e por São Paulo.

E temos que salientar a importância da Rádio Energia 97fm, que trouxe os festivais Clubtronic Live e a Spirit of London, dentro de um calendário sem opções de entretenimento do seguimento de música eletrônica.

Se hoje temos a Virada Cultural que dedica espaços a nossa cultura de e-music, devemos agradecer aos dj´s, produtores, promoters, donos de casas noturna, que há muito tempo atrás investiram nessa cultura.

Falta muita gente aí, mas vale a pena dar uma conferida.

Nos anos 1980, o preto era cor obrigatória no figurino de quem frequentava o cenário underground. Nos anos 1990, o ecstasy invadiu as primeiras pistas que investiram em música eletrônica. E, na última década, a noite paulistana ferveu com festivais, festas itinerantes, a reocupação da rua Augusta e o impulso de uma nova geração de produtores e músicos empenhados em divulgar uma multiplicidade de ritmos e gêneros sonoros.

Esse é um resumo do resumo de um fenômeno que não tem fim: o da noite paulistana. A linha do tempo que segue nas próximas páginas resgata alguns dos principais fatos ligados à evolução da balada nas três últimas décadas.

Arquivo Folha
Ícone da noite paulistana, a Gallery, era frequentada por celebridades e endinheirados
Ícone da noite paulistana, a Gallery surgiu em 1979 e era frequentada por celebridades e por endinheirados

1979 – Famosos e ricos se encontram na Gallery No ano em que a novela “Dancin’ Days” foi exibida pela Globo, São Paulo ganhou um ícone da noite: a Gallery, frequentada por celebridades e endinheirados. A atriz Vera Fischer e o roqueiro Cazuza são artistas que passaram por lá. Foi a primeira casa do empresário José Victor Oliva, na época com 23 anos. Nos anos 80, ele abriu ainda os clubes Banana Café, Moinho Santo Antônio e Resumo da Ópera. Acabou ganhando um apelido: o “rei”da noite.

1983 – Madame Satã abre alas para a cena underground As gangues dos Carecas do ABC e turmas de punks transformavam a inquietação juvenil em brigas de rua. Mas, no Madame Satã, eles pareciam conviver pacificamente, na companhia de góticos e artistas. Dentro desse caldeirão, dançava-se ao som da banda The Cure, declamava-se Rimbaud. Em 1983, Madonna lançou seu primeiro álbum.

1987 – Up&Down atrai jovens e adolescentes A Up&Down abriu na rua Pamplona, nos Jardins. Foi uma das primeiras baladas a investir em iluminação psicodélica. Menores de idade entravam com facilidade na casa, que virou reduto teen. O ano também tem como marca a abertura, no largo da Batata, do Aeroanta, casa de shows que investia no rock nacional. Seu palco recebeu bandas como Camisa de Vênus e Mundo Livre S/A. Lá, Cazuza lançou, em São Paulo, o álbum “Ideologia” (1988), dirigido por Ney Matogrosso.

1988 – Nation investe em pop e eletrônica O Madame Satã ainda funcionava, mas boa parte do público underground já havia migrado para a Nation, na rua Augusta. Menos soturnas, as festas da casa eram marcadas pelas performances dos DJs Mauro Borges e Renato Lopes, que apresentavam músicas de Kylie Minogue e Madonna. Ali, o pop brasileiro (ou ao menos a música para pista) tem um ímpeto de nacionalização. O hit “Que Fim Levou o Robin?”, de Mauro Borges, chegou a ser tocado no programa “Viva a Noite”, de Gugu Liberato (SBT).

1989 – Legião lança o disco “As Quatro Estações” Enquanto o acid house, ritmo de Detroit que pegou com força em Londres, não chegava ao Brasil, a faixa “Maurício”, do álbum “As Quatro Estações”, da banda Legião Urbana, virou hit de pista. O inglês Morrissey, dos Smiths, já fazia carreira solo e influenciava bandas nacionais. O grupo Nirvana lança seu primeiro álbum, “Bleach”, pela gravadora independente SubPop. O estilo e a moda grunge, em São Paulo, davam seus primeiros passos.

1991 – Massivo vira ícone GLS A cena gay ganhou um reduto que marcou época: o Massivo, nos Jardins, foi porta para a música eletrônica, embora desse espaço para Michael Jackson e Sidney Magal. O performer Johnny Luxo, que recebia convidados na porta, surgiu como símbolo da união entre noite e moda. Anos depois, se tornaria modelo de um jovem estilista, Alexandre Herchcovitch. Os DJs Julião e Marky Mark começaram a tocar na Sound Factory, na zona leste, ritmos até então pouco conhecidos, como o drum and bass.

Alexandre Rezende/Folhapress
Erika Palomino dos corredores da Bienal
Erika Palomino nos corredores da Bienal durante a SPFW; coluna “Noite Ilustrada” estreou na Folha em 1992

1992 – Folha lança “Noite Ilustrada”, Coluna de Erika Palomino Com bandas e DJs, o L&M Music inaugurou o conceito de rave urbana no estádio do Pacaembu. A coluna “Noite Ilustrada”, de Erika Palomino, foi lançada na Folha. Madonna colocou nas lojas de discos o LP “Erotica”, um álbum pós-punk sobre o amor. Gays ganharam uma nova casa, a Sra. Krawitz, que apostou suas fichas em um gênero mais pesado e menos pop: o techno.

1994 – O primeiro after-hours A carinha feliz do Smile se tornou símbolo da cultura do acid house e inspirou a criação de uma outra imagem, um solzinho rodeado de pernas. Era o logo do Hell’s, festa criada pelos DJs Gil Barbara, Mau Mau e Pil Marques. Considerado o primeiro “after” da cidade, a festa começava às 4h, no Columbia, nos Jardins. Ali, o ecstasy deu cores a uma nova cultura, e o preto perdeu espaço. O tênis All Star voltou à moda, em parte porque foi visto no pé do vocalista da banda Nirvana, Kurt Cobain, que se matou neste mesmo ano.

1995 – DJ francês Laurent Garnier em São Paulo Endeusado por clubbers, o DJ francês Laurent Garnier faz sua primeira passagem pela noite paulistana. Ele tocou no Latino e no Sound Factory e apresentou-se no Hell’s. O DJ, que procurava novos públicos depois de ter uma carreira ovacionada em Detroit e na França, apresentou um set tão importante para a noite de São Paulo quanto para ele próprio. Algo que deixou registrado na biografia escrita pelo jornalista David Brun-Lambert. Em 1995, a Vila Madalena ganhou um reduto que fez história entre roqueiros: o bar Matrix.

1996 – Zona Leste ganha casa de mauricinhos O Moinho Santo Antônio levou mauricinhos e patricinhas à Mooca. Na casa, Chemical Brothers podia ser ouvido em set que também incluía “Garota Nacional”, do Skank. Um pouco mais distante, o clube Sirena (inaugurado em 1993) tornava-se apêndice da noite paulistana, em Maresias. A música eletrônica deixava de ser uma exclusividade do mundo underground.

Regina Agrella/Folhapress
Parada do Orgulho Gay na avenida Paulista; evento reuniu 2.000 na primeira edição
Parada do Orgulho Gay na avenida Paulista; evento conseguiu reunir 2.000 em sua primeira edição, realizada em 1997

1997 – Primeira Parada Gay Reúne 2.000 pessoas A primeira parada gay, na avenida Paulista, reuniu cerca de 2.000 pessoas. Bandas como Prodigy, Daft Punk e Underworld invadiram a programação da MTV. Em Pinheiros, uma casa escura abriu as portas com o nome de Torre do Dr. Zero. Liderado pelo DJ Bispo e por Positive, a casa foi celeiro de bandas como o CSS (na época chamada de Cansei de Ser Sexy). Num domingo de Páscoa, às 7h, uma batida policial no Hell’s Club, em operação antidroga, leva 400 pessoas para a delegacia. A cultura do ecstasy já andava a todo vapor.

1998 – Lov.e Club & Lounge abre na Vila Olímpia Aberto no Dia dos Namorados, o Lov.e Club & Lounge traz programação variada e vira ponto de encontro de todas as tribos. Às quartas, promovia uma noite de trance. Às quintas, era a vez do drum and bass, em noite comandada pelo DJ Marky Mark, que mais tarde passou a se chamar Marky. Nas sextas, house. De sábado para domingo, rolava o Lov.e Paradise, “after” que selou o encontro entre público hétero e gay.

1999 – Manga rosa abre na Vila Olímpia O Manga Rosa levou a cultura eletrônica para mauricinhos e patricinhas da Vila Olímpia. Um ano antes, o inferninho A Lôca, na rua Frei Caneca, promoveu uma matinê importante para o cenário gay, o Grind, que começava às 19h com sessões de rock “indie”, pop e música punk. A casa Blen Blen reabriu em novo endereço, na Vila Madalena, e tornou-se seleiro de uma nova geração da MPB, que incluiu Otto, Simoninha, Jair Rodrigues e a banda Funk Como Le Gusta, entre outras atrações.

2000 – Skol Beats faz rave urbana em Interlagos Na década anterior, as raves haviam ocupado fazendas, sítios e galpões, seguindo o modelo das festas inglesas. A primeira edição do Skol Beats trouxe esse conceito para o espaço urbano. Realizada no autódromo de Interlagos em junho, recebeu 20 mil pessoas. Ainda que um festival de música eletrônica já tivesse acontecido no Pacaembu, o Skol Beats foi o primeiro grande evento do gênero, apresentando nomes como Paul Oakenfold, Bob Sinclair, DJ Rap, Green, Patife e DJ Marky.

Newton Santos/Hype/Folhapress
Ambiente do clube noturno D-edge, na Barra Funda, zona oeste da cidade
Ambiente do clube noturno D-Edge, na Barra Funda, zona oeste da cidade, eleito em 2009 um dos melhores do mundo

2003 – D-Edge vira referência internacional O DJ Renato Ratier abre o D-Edge no espaço antes ocupado pelo clube Stereo. A casa vira referência pela programação, pelo equipamento de som e ainda pelo grafismo de luzes em painéis eletrônicos nas paredes, no teto e no piso. Em 2009, foi citada pela “DJ Magazine” (bíblia do gênero) como uma das dez melhores casas do mundo. Entrou na rota obrigatória de DJs internacionais, como o chileno Ricardo Villalobos.

2005 – Clube incentiva renovação da Augusta Um clube abre com a força de uma intervenção urbana. Fruto de uma sociedade entre o rockabilly José Tibiriçá e o argentino Facundo Guerra, o Vegas apresentou programação de qualidade, atraiu público e estimulou a ocupação da rua Augusta. Na abertura, a rua era basicamente ocupada por prostitutas, que passaram a dividir espaço com baladeiros. Outros clubes seguiram o exemplo, ocupando o trecho da rua hoje conhecido como Baixo Augusta (entre a rua Consolação e a avenida Paulista). No mesmo ano, mais um reduto roqueiro aparece nos arredores, o intimista Milo Garage.

2009 – Casa de Nova York ganha filial em São Paulo Manga Rosa e Lov.e fecharam as portas, e São Paulo ganhou uma filial da casa nova-iorquina Pink Elephant. Enquanto o eixo Vila Olímpia colecionava baladas de clima internacional, como a Disco e a Mynt Lounge, com seus camarotes patrocinados por rótulos de bebida, o cenário underground paulistano se renovava, no centro, com a inauguração da Voodoohop, uma festa que teve edições tímidas em 2008 e que, em 2009, ocupou um prédio abandonado na avenida São João. Em agosto, uma medida do governo obriga frequentadores e estabelecimentos a mudar um hábito antigo: entra em vigor a lei estadual antifumo, que proíbe fumar em ambientes fechados de uso coletivo como bares e clubes.

Isadora Brant/Folhapress
Movimento Baixo Centro promove a Festa Voodoohop, no Minhocão
Festa Voodoohop ocupa o elevado Costa e Silva, no centro da cidade de São Paulo; evento foi divulgado pelas redes sociais

2010 – MIS lança balada vespertina O Museu da Imagem e do Som promoveu sua primeira Green Sunset, festa gratuita realizada sempre nas tardes de sábado. O evento inicia sem periodicidade, mas, em 2011, se torna mensal. A Green Sunset abriu espaço para um novo tipo de cultura: a de baladas que iniciam um pouco antes do pôr do sol. As primeiras edições foram descontraídas, com baladeiros levando bebidas em caixas de isopor –crianças e cachorros também marcaram presença, numa possível releitura da cultura hippie. Em 2011, o museu passou a cobrar ingressos a R$ 10, para controlar a lotação.

2012 – Voodoohop invade o Minhocão Em março, a festa Voodoohop faz uma grande intervenção urbana. Usa as redes sociais (especialmente o Facebook) para divulgar uma festa gratuita realizada em cima do elevado Presidente Costa e Silva, o Minhocão. Dá continuidade, portanto, à cultura das festas vespertinas, com baladeiros andando de skate, dançando e fazendo performances

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9 comentários

  1. Podemos comparar Parada da Paz à Love Parade sim, os números comprovam. Na edição de 2002 chegamos a 1.5mi pessoas de acordo com estimativas da Polícia Militar, o triplo da primeira edição em 2001, com estimativa de 500 mil. Estive em todas e faz parte da minha vida, então é fácil lembrar =p

  2. Não concordo nandameik, comparar a Parada da Paz com a Love Parade? Os números da LP é infinitamente maior. A estrutura era maior, tudo era maior. A PP foi um marco na história de SP e deixou saudades, lembro-me de ver o Mau-Mau em cima do trio girando o disco(com os dedos!!!) no tempo certo pois havia quebrado um componente do toca-disco. Sou muito mais a favor da volta da Parada da Paz do que a continuação da Parada Gay que de gay não tem nada vamos combinar né? Alias voces do Remixa e de outros site poderiam pensar nisto!

  3. Tá faltando muita coisa. A Folha é um jornal extremamente preconceituoso e coloca só baladas de gente com grana. Falta Broadway, Ilha de Capri, Cabral, Florestta, Disco Fever, Blue Space, Freedom fora as dos outros segmentos como Kva, Danado, Reggae Night, Jambo Mix vixe…

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