Monga Entrevista: Dj Mauro Trevisan

Mauro Trevisan descobriu seu interesse por música eletrônica nos anos 90, ainda na época em que freqüentava as matinês mais badaladas de São Paulo: Krypton, Resumo da Ópera e Moinho Santo Antônio.
Em 2001, Mauro conheceu o lendário DJ Badinha, foi quando aprendeu os primeiros passos da profissão e de quem recebeu apoio para entrar no cenário musical atuando inicialmente em festas particulares e de amigos, fator que contribuiu para o desenvolvimento de uma paixão incondicional.
Um ano mais tarde, iniciou sua trajetória tocando como convidado em casas noturnas, conhecidas pelo público freqüentador da noite paulistana: Armazém da Vila, Bar Vivo In Motion, Cabaret Disco, Cânter Bar, Casa das Caldeiras, Cheers, Club HiFi, Escape Bar, Hype Club, Kintamani, Maevva, Maori Santa Aldeia
Além de apresentações ao lado de top DJ’s como:Felipe Venâncio, Gabriel Naufel, Harolds, Léo Cury, Marcos Freitas, Mora, Puff, Rodrigo Ferro e Ronaldo Gasparian.
É colaborador do site RádioDJ (maior portal de dance music no Brasil há 11 anos no ar e com mais de 12 mil acessos diários – www.radiodj.com.br), onde faz participações no podcast RádioDJ Music Show. Também atuou como convidado no programa Night Sessions da rádio Energia 97 FM, apresentado por Beto Keller e pelo DJ Badinha.
Na temporada 2008/2009 (mais precisamente no período de dezembro a março), Mauro Trevisan foi o DJ do navio Grand Celebration, com passagens por Buenos Aires e Punta Del Este.
No carnaval de 2010, foi o DJ convidado do navio Zenith, com passagens por Búzios e Salvador.
Ainda em 2010, Mauro Trevisan ganhou seu próprio podcast no site RádioDJ com reconhecimento internacional, o Underground Connection, onde apresenta e mixa as grandes novidades do lado B da música eletrônica e recebe convidados importantes da cena.
 
 Bookings:
E-mail: booking.djmaurotrevisan@gmail.com 
Mobile: +55 (11) 8112-8852

Muita coisa mudou desde o início da produção brasileira de tracks e desde a explosão de dj’s brasileiros no exterior, em sua opinião qual foi a maior mudança no cenário da música eletrônica brasileira?

 Acho que a cena no Brasil cresceu bastante e aos poucos as pessoas começaram a valorizar o produto nacional, que era o mais difícil de acontecer, pois é feito em casa! Com o tempo, as coisas passaram a ser feitas com maior qualidade (que nada deixa a desejar ao que vem de fora), e o avanço tecnológico possibilitou isso. Hoje é muito mais fácil montar um estúdio do que há 10 ou 15 anos, por exemplo. Com a renovação tudo fica mais fácil de acontecer. Novos produtores e DJ’s surgindo, festas e clubs se multiplicando, vertentes e estilos e acho que o principal é a facilidade de contato e o acesso das pessoas com a música eletrônica, tornando o estilo mais conhecido. Tudo isso contribuiu.

  Quando começou a tocar?

 Sempre gostei muito de música eletrônica. Na segunda metade dos anos 90, época das grandes matinêsem São Paulo, foi quando entendi melhor como tudo funcionava. Então, passei a prestar mais atenção no trabalho dos dj’s e a perceber o quanto esse trabalho era fundamental. Aos poucos fui conhecendo e pesquisando os principais profissionais, artistas, músicas e suas versões, equipamentos, técnicas, etc.

Comecei a tocar mesmo no final de 2001, quando a lenda da noite, o grande Badinha (que tocou por 5 anos na Overnight) me deu a primeira oportunidade: ele me olhou bem sério perto do final da noite, passou o headphone e disse “Vai, moleque, hora de começar! Vai em frente e sem medo! Você conhece as músicas. Hora de tentar”. Confesso que não tinha palavras, não consegui falar nada!  Deu um medo gigante de fazer bobagem, mas foi legal. Obviamente não foi perfeito, não foram as melhores mixagens, mas foi bacana e muito importante.

  O que mais te deixa feliz e o que mais te incomoda quando está tocando?

 Acho sensacional o reconhecimento do trabalho e me dedico muito pra isso. Gosto de ver as pessoas felizes, dançando e se divertindo. Sinal de que meu trabalho agrada. O que mais me incomoda é gente que acha que cabine é camarote, entra pra perturbar e atrapalhar, sem conveniência nenhuma; e o pior: sem pedir licença e sem convite! DJ é profissional da noite e a pista é em outro lugar. Respeito, por favor! Ah! Claro, não posso esquecer aqueles que ficam de olho no case querendo descobrir a versão que você esta tocando de determinada música. Perguntar ainda é a melhor opção!

  Qual a dica pra quem está começando a tocar?

 Muita dedicação, pesquisa, estudo, determinação e paciência. Respeite as pessoas e o público. Há espaço para todos, apesar do mercado inchado. Não precisa pisar em ninguém para vencer.

 O que você acha da popularização da profissão de DJ’s e da invasão das ‘’celebridades’’ nas pick-ups?

 A resposta para essa questão virá com o tempo. Aos poucos as pessoas vão ver que isso perdeu a graça e quem é bom, quem sabe o que está fazendo realmente e quem está apenas como oportunista. Acho o trabalho deste blog e do Porra DJ importantíssimos! Ainda que represente pouco, pois a internet não tem limites, conta bastante! Outra dia ouvi o DJ Ronaldinho (rádio Energia 97) dizer ao final de uma edição do seu programa que “todo ano a Globo coloca no mercado 17 novos DJ’s. São os ex-BBBs!”. Achei sensacional! E penso exatamente da mesma maneira. É triste e deprimente ver que infelizmente a noite depende desse tipo de coisa em nosso país! Enquanto lá fora os grandes nomes da cena eletrônica tocam nos principais clubs e festivais com enorme frequência, aqui muitos donos de casa noturna e promoters optam por colocar a foto e o nome de um ator, ex-atleta ou subcelebridade nos flyers, atrás de uma notinha na revista Caras ou no site Ego. É lamentável! O mercado cada vez pior e tem muito profissional importante e talentoso sem espaço por causa dessas papagaiadas! Como disse uma vez o saudoso Ricardo Guedes: “O futuro dos DJ’s no Brasil é negro! Não vejo luz no fim do túnerl!”.

 A profissão de DJ lhe proporcionou muitas coisas, conseguiu conquistar tudo o que queria ou ainda falta alguma coisa?

 Conheci muita gente, fiz boas festas, realizei alguns sonhos e desejos. Posso dizer que ao longo desses 10 anos, me diverti bastante. Gosto muito do que faço, mas algumas coisas me chateiam e me fazem pensar em largar a carreira. A falta de respeito com o profissional e a desunião no meio são duas que posso citar. A falta de valorização e reconhecimento, infelizmente são fatos que ocorrem. Ainda faltam algumas coisas, mas não sei se vai dar tempo de concretizar. Acho que paro de tocar antes. 

 Quais são seus planos para o futuro? Algum projeto vem por aí? 

Tenho alguns planos, mas vamos deixar as coisas acontecerem no seu tempo. Pode ser que apareça um novo projeto no mercado.

Qual foi a maior dificuldade que você encontrou no início de sua carreira?

Não posso reclamar da falta de oportunidade, pois consegui lugar para trabalhar quando comecei a me dedicar mais e agradeço muito às pessoas quem me ajudaram, deram apoio e apostaram em mim.

Quais são suas maiores referências musicais ou grandes inspiradores?

Nunca escondi de ninguém que minhas inspirações foram alguns profissionais que hoje, felizmente, posso chamar de amigos! Ronaldinho, Ronaldo Gasparian, Harolds, Badinha e o falecido Ricardo Guedes, com quem infelizmente não tive contato. Também gosto de ver em ação outros nomes de fora: David Guetta, Laidback Luke, Chuckie, Steve Angello, Kaskade, Sebastian Ingrosso…

 

http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F20236550 DJMauro Trevisan – Set Agosto 2011 by maurotrevisan

28 comentários

  1. E eu não poderia deixar de dar os parabéns pela entrevista, adorei a sinceridade e acho importante vc defender seus conceitos e pensamentos, assim como este blog, independente de qualquer coisa o Dj Mauro defendeu seus pensamentos e sinceramente espero que isso seja aplicado em seu dia a dia, porque nao adianta falar um monte de coisa e na frente do promoter fazer cara de bonzinho e fazer o que eles querem, veja bem, não estou dizendo que vc faz isso, mas é um conselho pra garotada que está começando, defenda seus principios e seja rigoroso na questão da ética, e não importara se vc faz 2, 15, 30 gigs por mes, mas o que importa é que vc terá ética e isso é fundamental hoje em dia, quem nao tem ética é justamente essa ”turma” que ferra com a cena. Parabéns Mauro, ótima entrevista e ouvi seus sets, achei legal e desejo sucesso à você e a este blog em seu primeiro aninho! Parabéns a todos os envolvidos!

    Abraços,

    EU
    hahahaha achou que eu iria me identificar né Monga 😛

  2. Falou e disse Adriano e Dj Famoso, principalmente o Adriano que disse que todos que passaram por aqui, são pau mandado da 97 fm, menos o Nedu, de resto tudo faz parte da turminha do Sombra, que coloca só os malas que acham que viram pra caramba e são mais farofeiro do que familia na praia, o unico dj que prestava era o Ricardo Guedes, nem o Marky presta mais, virou midia, virou david guetta ou seja virou uma porcaria….

  3. Em primeiro lugar, obrigado Aline e Thiago pelo espaço e pela divulgação do meu trabalho.

    Obrigado aos leitores do blog pelo prestígio!

    Pra quem não me conhece, toco há 10 anos já e tenho 1 programa no maior portal de dance music do país há 1 ano!

    Se quiserem saber um pouco mais sobre o meu trabalho: http://djmaurotrevisan.blogspot.com/p/release.html

    Bom, procuro realmente falar o que penso e o que acho. Não tem esse lance de fazer média, babar-ovo, etc…

    Sobre as críticas à rádio, cada um tem sua opinião, mas discordo. Pagani e Ronaldinho são meus amigos, por exemplo. Tenho grande respeito e amizade por eles. No time da Energia 97 existem grandes e competentes profissionais. A história de cada um precisa ser respeitada. O que não pode acontecer é misturar o lado pessoal e o profissional. Você não pode avaliar a personalidade do cara pelo trabalho dele. Acho que estão cometendo um erro aí.

    Enfim, como dizia minha vó… opinião e gosto, cada um tem o seu.

    Bom final-de-semana para todos! Mais uma vez, obrigado pelo prestígio!

    Grande abraço!

    Mauro Trevisan – Underground Connection / RadioDJ

  4. Estou aqui para defender e dizer que o Mauro (desde que o conheço) tem essa opinião sobre “DJs Celebridades” e a prostituição da profissão de DJ, e digo mais, eu abandonei minha paixão pelas pistas de dança por causa desse tipo de pessoa que se diz profissional, que por muitas vezes toca por “cinquenta real e mais uma breja” ou toca por uma noite só para ter seu nome estampado nos flyers das festas e com isso acaba ROUBANDO o serviço de um profissional que muitas vezes depende deste meio para sobreviver (como era meu caso). Mas os maiores culpados disso tudo são os “própriootários” donos de casas noturnas e seus “promerdas” (diga-se promoters) que dão grande ênfase e ainda acreditam nesses “DJs Celeb’s” e que são eles que enchem a burra de dinheiro.
    Pois bem, já disse o que penso, mas quero parabenizar o Mauro pelo programa de 1 ano e como disse à ele “que venham outros 10 aniversários”, o mesmo desejo ao Blog da Monga.

    Forte Abraço

    XSTR

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